2019 - A música no ambiente hospitalar: uma experiência de humanização (por Luanda Oliveira Souza)

Luanda Oliveira Souza
A música no ambiente hospitalar: uma experiência de humanização
Dissertação apresentada à Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina - para obtenção do título de Mestre em Ciências.
Orientador: Prof. Dr. Dante Marcello Claramonte Gallian.
São Paulo
2019

RESUMO
Introdução: Estudos referentes à paisagem sonora – definida como qualquer campo de estudo acústico - têm o objetivo de analisar como as relações sonoras compostas de sons e ruídos que estão presentes em um determinado local influenciando direta ou indiretamente os seres humanos. O ambiente hospitalar é considerado desagradável para a maior parte da população e isso se deve à forma de tratamento estar mais associada à doença do que aos aspectos subjetivos do hospitalizado. Além disso, o desenvolvimento científico tecnológico no que tange à área da Saúde, apesar de aprimorar os tratamentos médicos, culminou em uma relação mais distante entre profissional da saúde e paciente, tornando os hospitais locais considerados desumanizantes. A música é uma forma de arte que influencia os seres humanos desde os primórdios, desenvolvida de forma individual ou coletiva e presente em praticamente todas as culturas.

Objetivos: pretendeu-se verificar em que medida a música ao vivo, ao modificar a paisagem sonora daquele ambiente, pode ser um meio de tornar o hospital um lugar mais humanizado. Metodologia: em parceria com o Grupo Saracura foi realizada a observação participante de cunho etnográfico nos hospitais Instituto da Criança do Hospital das Clínicas FMUSP, Hospital do Coração – HCor e Hospital Infantil Sabará, o que possibilitou a elaboração dos diários de campo com as percepções relacionadas às modificações da paisagem sonora e às reações das pessoas diante da arte musical. Após essa fase, foram feitas entrevistas de História Oral de Vida com duas pacientes, quatro mães de pacientes, quatro profissionais da saúde e dois músicos, de modo que suas histórias foram transformadas em narrativas. As análises dos dados foram baseadas nas narrativas e diários de campo pelo método qualitativo de Imersão/Cristalização inspirado na fenomenologia hermenêutica.

Resultados: a partir dos diários de campo e narrativas, os seguintes temas emergiram: a ampliação da afetividade visualizada em mães de pacientes neonatos por meio das canções de ninar; a harmonização do ambiente como efeito da música, auxiliando pacientes em estado grave e acompanhantes na questão complexa da finitude, com a música dando conforto à situação vivenciada, tranquilizando o paciente e auxiliando nas despedidas; e a possibilidade de o músico atuante em hospitais se ressignificar após ter contado com a dor e com o sofrimento do outro. Identificamos que a paisagem sonora hospitalar, dotada de ruídos, alarmes e conversas, é harmonizada pela música, de modo a todos ali envolvidos se desvencilharem do foco na doença, abrindo espaço para vivenciar a música. Analisamos que melodias foram consideradas emoções audíveis, de modo que as propriedades elementares fundamentais sonoras como tempo, espaço e movimento relacionaram-se com aspectos subjetivos vivenciados no hospital.

Considerações finais: Os resultados apontaram que a música é um dos poucos recursos artísticos que não comprometem o trabalho dos profissionais da saúde, sobretudo na UTI, e ainda colabora para tornar esse setor mais sereno, tranquilo e alegre. Dessa forma, temas como afetividade, finitude humana, ampliação de diálogo foram discutidos a partir das modificações da paisagem sonora hospitalar por meio da música ao vivo. Assim, consideramos que as ações musicais podem ser meios de ampliar a humanização hospitalar.


Palavras-chave: Música. Humanização. Hospital. Paisagem sonora. Narrativas.

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